domingo, 30 de maio de 2010

fiscalização, direitos, humanos


a comissão de combate à intolerãncia religiosa fará campanha contra as falsas mães de santo, à la mãe de oxossi, que emporcalham os postes com o "trago a pessoa amada".(saiu ontem na coluna gente boa, de joaquim ferreira dos santos).
será que adianta? pensei,imaginando a ampliação desse tipo de ação...
em seguida pensei que a lei seca diminuiu bem o número de acidentes. ainda assim tem gente que acha que dá conta de dirigir embriagado.hmmm...infelizmente,muita gente ainda precisa de fiscalização pra começar a pensar em desenvolver um mínimo de consciência.
em função de todos os acontecimentos da semana que passou, sobre o acordo que oculta (de quem não lê), a permissão dada ao irã para continuar usando urânio para fabricar bombas, conheci sándor márai,escritor que foi considerado o thomas mann da europa oriental. ele dizia:"é muito menos perigoso um malvado do que um imbecil.e os imbecis abundam sobremaneira.estes sim é que são perigosos." aos desatentos, este pensamento de márai pode até soar agressivo ou prepotente. para quem acompanha a história, é a mais pura verdade.

sábado, 29 de maio de 2010

ceiba penetranda


samaúma ou sumaúma (ceiba penetranda) é uma árvore da Amazônia

 ele me trouxe da amazônia, de presente, duas sementes de samaúma pra eu fazer um colar, ou brincos. e me contou que os índios a consideram a árvore da vida, a mãe de todas as árvores e a rainha da floresta.ela consegue, com suas imensas raízes,retirar a água das profundezas do solo para abastecer não somente a si mesma, mas também pra repartir com outras espécies. de crescimento relativamente rápido, podem alcançar os 40 metros de altura. os povos da floresta contam que de tempos em tempos "elas estrondam", irrigando todas as plantas que a cercam.suas raízes são usadas na comunicação pela floresta pois ao se bater sobre elas ecoam sons de tambores.tem propriedades medicinais e poderes mágicos, pois protegem as demais árvores e os habitantes da floresta.conta a lenda, que com tanto poder, a árvore consegue afastar e assustar quem entra na mata mal intencionado.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

afinidades

mesmo nos momentos mais negros da história, os acontecimentos exteriores poderiam ter sido modificados se todos nós tivessemos um centro. só no nosso mundo individual podemos transformar a feiúra, os horrores da guerra, os males e crueldades dos homens, para criar um novo ser humano. isso não implica desinteresse nem fuga. não podemos escapar da história, porque precisamos manter nossas responsabilidades para com a sociedade; mas temos de criar um centro interior de força e resistência às desilusões e fracassos, provenientes dos acontecimentos exteriores. hoje, luto por causas que considero válidas, mas que fazem parte do mundo da ação,enquanto o mundo de onde tiramos nossa sabedoria, nossa lucidez, nossa capacidade de agir e nossa coragem é esse outro mundo, que não constitui um refúgio, mas sim um laboratório da alma. anaïs nin

afinidades

assim comecei a escrever.como uma maneira de dramatizar a solução do artista para os obstáculos da vida. durante toda a minha vida sempre escrevi e falei muito sobre os artistas. em geral isso foi interpretado como um culto, que excluía os não-artistas ou aqueles que não criavam - o que não é verdade. eu aprecio também os não-artistas, porque para mim o artista é simplesmente aquele que, graças a sua habilidade, pode transformar a realidade de todos os dias numa criação maravilhosa. eu não estava me referindo apenas à criação artística mas à criação na própria vida: a criação de uma criança, de um jardim, de uma casa, de um vestido. estava pensando em todos os tipos de criação. não apenas nas verdadeiras obras de arte, mas na faculdade de curar, de consolar, de elevar o nível de vida, transformando-a através de nossos próprios esforços. estava falando do desejo de criar, que se opõe à neurose, como possibilidade da nossa salvação.(anaïs nin em junho de 1973)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

ardente.moi aussi, fanny

fanny ardant chega ao rio nesta quinta. o seu primeiro curta, quimeras ausentes,irá passar aqui, no forum da aliança das civilizações da onu. ela escolheu os ciganos pra falar sobre intolerância. "os ciganos são pessoas livres, e detesto a intolerância. não tenho qualquer engajamento político. digo o que penso. há um enorme problema da europa ocidental com os ciganos."
"acabei inventando uma história que aconteceu três meses depois, de verdade, na itália, de uma menina que não tem acesso à cantina. as pessoas tem medo dos ciganos . por que não tem medo da igreja (com o escândalo dos padres pedófilos) ?"  ótima pergunta!
 a atriz dá uma deliciosa entrevista à correspondente de o globo em paris, deborah berlinck.fala sobre como o medo é que gera o fascismo, o fanatismo, fala sobre a ignorância das platéias de teatro, cita shakespeare, que em hamlet diz para os atores: renunciem ao prazer vil de fazer rir uma sala de imbecis para fazer sorrir um homem inteligente.
enfim, fala sobre vários assuntos de um jeito que me alivia, existe mais alguém vendo o que vejo...neste mundo globalizado.
sobre medos,penso (ao me identificar com uma resposta dela), que esse é o meu maior defeito, apesar de aparentar,e poder ser também,qualidade: "eu sempre confiei nas pessoas. depois recebi golpes. mas meu primeiro instinto é confiar". meu primeiro instinto também conntinua sendo confiar. no final, não existe certo ou errado, existem escolhas.ninguém, nem o maior amor do mundo muda o outro. você pode mudar apenas a si mesmo. isso já é muito.parece óbvio mas tudo é tão sutil.ando apenas mais atenta, pois aqueles que não conseguem mudar a si mesmos e sugam a energia dos outros,exigem dos outros o que não conseguem extrair de si mesmos. eles sempre dão sinais claros por trás de toda sedução e auto-imagem armada,eles cobram impostos muito altos, então...vigiai.eles também fizeram essa escolha, a de acreditarem em paz com urânio, constroem irãs, prendem artistas que tem a coragem de ser contra comportamentos controladores, totalitários. e assim caminha a humanidade. 
sempre senti muito orgulho quando a minha mãe dizia que eu parecia uma cigana, por causa do meu olhar firme, focado nos olhos dos outros.não acredito em fim do mundo, acredito que a ira da natureza e social está diretamente conectada à ira que habita mentes e corações irados.até quando descobertas maravilhosas como a de santos dumont, einstein e agora a do grupo de geneticistas do instituto venter vão ser mal empregadas?

domingo, 23 de maio de 2010

avançadas



sábado de manhã. chego na varanda do ap do meu amigo e observo o movimento na rua em copacabana.vejo mais uma série de mulheres super estilosas andando em sua super avançada idade.adoro! fico, mais uma vez,impressionada com a quantidade delas em copa.sempre atarefadas, carregando sacolas de super, chamando um taxi,cheias de vida e compromissos.há meses estava na fila de um super, desses de preço imbativel,esperando a minha vez pra pagar os vinhos que tinha escolhido pra levar pra casa de uns amigos.a fila andava lentamente.eu estava com a minha máquina na bolsa mas fiquei meio constrangida de tirar uma foto, sem autorização, de uma linda senhora antiga, na fila ao lado. fiquei completamente fascinada com ela, que aparentava ter passado há muito dos oitenta.alta,não era magrinha nem gordinha,os ombros já se encurvavam um pouco à frente.vestia umas calças pretas cigarette, com os tornozelos à mostra, sapatilhas ballerina pretas e uma túnica estampada oriental, de bom gosto, que cobria os quadris. na mão esquerda segurava uma bolsa-carteira de flores multicoloridas e finamente rebordadas com canutilhos. os cabelos muito negros(pareciam pintados com henna) presos num coque super bufante. a pele muito branca, com rugas delicadas e marcas de expressão muito bem preservadas.o rosto dela parecia uma máscara oriental com a altivez de uma maitresse du ballet do bolshoi.a fila não se mexia, as pessoas começavam a reclamar que o caixa era rápido,destinado a quem trazia poucos volumes, enquanto alguns ignoravam esse fato. eu me deliciava em pensar na casa dessa linda e antiga senhora, na sua estética, no seu guarda-roupa, no ritual noturno de passar os cremes para manter aquela pele tão alva como a de uma gueixa, as gavetas da cômoda antiga cheias de bijoux e histórias pra contar. ou não.ela poderia ser uma senhora que se servia de muita imaginação para enfrentar sua atual solidão.vi neste sábado várias passarem na calçada sob este sol lindo de maio, cada uma com uma assinatura muito particular e todas muito vivas.uma de blazer branco e camiseta de listas , bolsa enorme, andar trôpego, seios e barriguinha fartos,ía entrar no taxi e mudou de idéia, escolheu outro.


meu olhar abraçava do alto do nono andar todas essas mulheres, quando passou uma borboletinha amarela voando toda descabelada e decidida..deu um flash back na minha mente e me vi aos quatro, cinco anos, observando o movimento nas calçadas da varanda do prédio dos meus pais.minha mãe me levava ao teatro todos os fins de semana. e, um dia, intrigada com tanta gente pra lá e pra cá nas ruas, imaginando para onde íam e o que pensavam, perguntei pra minha mãe quem era o diretor desse espetáculo.não me lembro o que ela respondeu.mas me lembro bem que foi a minha mãe que despertou em mim esse respeito por pessoas de idade muito avançada.ela tinha, em sua confecção, uma bordadeira italiana linda que morava só numa pensão. todos os domingos de manhã íamos visitá-la, levar docinhos, flores, livros. ela tinha uma filha única que se casara com um milionário e abandonara a mãe.quando eu e minha chegavamos ou íamos embora ela nos abraçava com os olhos hiper azuis, cheios de doçura e umidade.teve também uma outra (sobre a qual minha mãe já ouvira falar na itália). ela tinha sido amante de um empresário muito conhecido e era famosa por seu corpo escultural de bronze. por que bronze? ela costumava tomar sol nua em alto mar para ficar inteiramente dourada, sem nenhuma marca de biquini.quando mudou para o brasil, veio atrás da filha única que se casara com um empresário riquissimo de minas gerais.só que ela não quis saber da mãe... e a minha mãe a empregou e cuidou dela anos e anos.
neste sábado, observando da varanda,o tempo que avança,senti mais uma vez um respeito imenso por essas pessoas a quem chamo de antigas. não,essas que eu tenho visto não são velhas, são antigas.velhas são aquelas pessoas que, mesmo jovens, não esão abertas para viver nada. antigas são as pessoas que, como preciosidades em antiquários, são cheias de detalhes, vivências, alegrias,restauros invisíveis,passagens por lugares felizes e tristes,e em que tudo brilha, tem presença.é claro que existem os velhos,como os móveis baratos e frágeis de um brechó pobre e decadente, que passaram uma vida inteira só para acumularem poeira, lamentações e mau humor.toda vez que vejo um velho ou jovem assim, me pergunto: como pode, chegou a essa idade e não aprendeu nada, nadinha, só sabe reagir com mau humor? se for muito jovem, penso assim: nem começou a viver e já tem esse mau humor todo?

e lindas




ah...mas acho que a pessoa mais antiga que me conquistou desde cedo foi a minha avó materna. ela morreu aos oitenta e seis. eu tinha quinze. não pude acompanhar minha mãe a buenos aires para me despedir da minha avó. minha mãe chegou a tempo ainda de passar alguns dias com ela. deitada em seu quarto, ela olhava para o lindo jardim da casa do meu tio e dizia para a minha mãe: está vendo ali a família tal (citava uns antigos vizinhos)  indo para a missa? como eles estão bem...minha mãe confirmava, sim, incrível, estou vendo sim. ao que minha avó respondia: ah, te peguei, você acha que estou delirando e fica confirmando qualquer coisa que eu disser! não tem nada disso, estou indo embora mas bem lúcida, minha filha! manteve o humor até o fim.lembro que eu queria ter herdado esse vestido de veludo vinho que ela amava, esse que ela veste nessa foto. mas ela quis ir embora vestida com ele.a vovó sempre foi muito vaidosa, escolhia todos os dias até uma bela lingerie,pensava que caso passasse mal ...era uma maga nos temperos e conhecimento de ervas, fabricava os seus próprios cremes e loções para os cabelos e todo mundo queria.eu via nela uma alquimista, com todas aquelas colheres de pau, mexendo horas a fio suas receitas no fogão da cozinha.cultivou toda a sua feminilidade até os seus últimos dias.eu via nesses cuidados que ela tinha com ela mesma uma forma de cultivar a saúde da beleza, manter a sensualidade da vida acesa, apesar dela nunca ter cogitado pensar em outro homem depois que ficou viúva...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

waltércio caldas

proust questionnaire





waltércio caldas - da série frase sólida -2002

respondo rapidinho às perguntas inspiradas no proust questionnaire, todas criadas pelo escritor francês marcel proust e publicadas mensalmente na última página da revista vanity fair.


qual a sua idéia de felicidade?
 que exaustão me dá essa tal palavra felicidade.então, tá,
pra mim felicidade é estar inteira e plena vivenciando cada agora e só acredito em felicidade que não foge da tristeza.
qual o seu maior medo?
deixar algum dos meus sonhos de lado.
quem você mais admira?
todas as pessoas que constroem, de relações a computadores.
o que você mais deplora em si mesmo?
não tenho o hábito de me lamentar, então não deploro, procuro descobrir como eu mesma me enrosco e procuro mudar.
qual a sua maior extravagância? 
são muitas.a minha casa de campo,a comunicação direta com a natureza, diálogo em silêncio que me responde a todas as perguntas, sem celular,sem telefone,sem laptop,sem tv.
qual frase ou palavra você mais usa?
sim e não.
seu maior arrependimento?
ter fugido para buenos aires em vez de fazer aquela peça.
o que ou quem é a sua grande paixão?
arte e gente criativa,de mente ampla e aberta,que tem humor e percepção sobre o outro.
que talento você adoraria ter?
cantar como billie holiday e nina simone e para multidões, como pavarotti, ou backing vocal do pink floyd, cantar the great gig in the sky.
como é seu estado mental atual?
concentrado, atento.
qual a sua maior qualidade?
saber ouvir, perceber o que está sendo dito nas entrelinhas,muito além das palavras.
qual a sua ocupação favorita?
criar e tomar banho de rio no meu campo.
qual qualidade você mais aprecia em uma pessoa?
a sinceridade que ela tem consigo mesma, disso depende a qualidade das relações que tem com os outros.
o que você mais valoriza em seus amigos?
o jeito único de cada um deles e a percepção que eles tem do que é estar junto, não tem distância que afeta a nossa comunicação, compreensão, amizade.
quem são seus heróis na vida real?
todos artistas originais que tem uma assinatura própria na vida e conseguem sobreviver da própria arte.todas as pessoas que se dedicam para preservar a saúde ecológica, humana e natural.
qual o seu lema?
seja quem você é.vida-te.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

flutuante why

tenho andado assim, flutuante why, como se a minha vida tivesse passado a morar num barco.
flutuante = acima das ondas,nada a ver com indecisões e por ques. 
a caminho de ítaca? pode ser. mas eu tenho consciência sobre o compromisso de manter o prazer na travessia.
meu pai me ensinou, desde pequena, a furar ondas enormes, ir lá no fundo, tocar a areia com o meu próprio corpo, encontrar esse lugar que não se envolve nem se deixar levar pela tormenta.
why é a sigla irônica (wally hermès yacht), deste super iate, fruto da joint-venture da hermès com o estaleiro de mônaco.não é utopia, é verdade.2010.já está aí, olha a foto.
e sobrevoando a nossa costa verde, chegando em paraty, o olhar do fotógrafo cassio vasconcellos sobre o mar, casa com o meu olhar.tenho me sentido exatamente assim.precisa falar mais?
flutuante why, a life between roles.

afinidades, memórias autônomas, folie ethnique


aconteceu. mais de uma vez. uma tia ou amigas de infância vieram ao rio e me perguntaram: ah, você se desfez dos móveis da sua mãe? não, olha você acaba de passar por um deles, na entrada.e elas comentavam: você tem uma capacidade de dar uma leitura tão nova que a gente nem reconhece mais aquela cômoda veneta,etc.ao ver as fotos (de jean marie de moral) do apartamento de pascale mussard, a diretora artísitca de hermès, em paris, me senti em casa.decoração intimista, sem medo de misturar cores, referências étnicas, diferentes estilos e design. pascale tem três filhos, alexandre mussard é o único artista. ele diz sobre a mãe: minha mãe usa os objetos, usa de novo com outra finalidade, muda-os de lugar...o bom é que sempre encontramos a mesma atmosfera, mas com ambientes diferentes.ela nunca gasta rios de dinheiro com decoração.", conta a reportagem de marilia levy para a wish report.tem uma diferença entre nós. ela não joga nada fora. eu já me desfiz de alguns espelhos antiquissimos, ou uma penteadeira de bois de rose, era tudo muito apetitoso para os cupins tropicais, e dispendioso, para mim, mantê-las a salvo.sabe aquele cheiro que te leva de volta a um lugar da sua memória? estas fotos do ap de pascale me levaram de volta a mim mesma.o armário chinês ela ganhou a pouco tempo do irmão.acho que eu mesma posso me apelidar de folie ethnique.a foto da garota franco-vietnamita é de um amigo de pascale,jean baptiste huynh. para não esquecer.

adorei !

escultura de vidro e pequena cadeira de bronze de alexandre mussard

quarta-feira, 19 de maio de 2010

desliga aí, cadê o controle remoto?


a vida (de alguns) não imita a arte.
imita um programa ruim de televisão.
paulo leminski
* (de alguns)  é interferência minha





wishes

detalhe do móbile-escultura 'planet of wind and water' de susumu shingu

meu amigo me enche de wish, edições atuais e antigas. nem imaginava o quanto ele me conhecia. passeio por imagens, lugares, entrevistas, tudo de alta qualidade.seleciono a minha lista de good wishes...uma edição próxima à vitória de obama traz um artigo do psicanalista lacaniano jorge forbes, from são paulo: "a crise está na sua cabeça".ao analisar as relações interdependentes que se estabelecem num mundo globalizado (que tornam obsoletos os esquemas de poder hierárquico, de forma piramidal)  ele reforça como é a cultura que estrutura as relações, e não a economia. a cultura deixa de ser um entretenimento secundário, para se constituir no próprio alicerce das relações sociais, antes da economia.
...bemvindos parceiros de uma nova cultura de responsabilidade compartida, na qual a economia importa, mas não é essência.
(sob o guarda-chuva bush, os senhores do universo fizeram seu dejeuner sur l'herbe, levando-nos à indigestão.o pior é que temos que limpar as migalhas desse banquete perverso (mais uma categoria analítica) para não criar ratos.)



segunda-feira, 17 de maio de 2010

feliz idade, sempre



 hmmm, tantas coisas...
ontem foi o aniversário da minha filha. amo ser mãe. dela! uma riqueza nonstop.e o domingo fluiu lindo,como flui tudo o que é natural e verdadeiro em sua intenção e origem.celebrações na natureza,amigos de verdade, o céu turquesa, o mar transparente, o horizonte claro,a macia e acariciante temperatura de  maio.
tudo tem qualidade, e não depende da idade, quando no subsolo existe a percepção apurada - a contínua jornada da purificação dos sentidos, aberta para receber o que alimenta.
 amei estes cocares,ofereço aqui para os que ousam crescer juntos, tem disposição para criar uma nova cultura!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

congela

faca é faca
pão é pão
fome é fome
amor é amor

estranho desígnio das coisas
de serem exatamente elas
quando olhamos sem paixão.

tanussi cardoso (via poesia sim)

e tem gente que vive a vida inteira assim
e chama a tudo o que vê de realidade.
alguns,pior ainda, dizem que é escolha mesmo.
outro dia comentei com uma amiga sobre o corpo dele,
aquele corpo durinho, tenso, de andar contido,
gestos comedidos,uma bomba de neutrons
 contida numa bela jarra de vidro. eu vi assim.
foi transparente pra mim.
depois soube que é assim mesmo.às vezes o que une as pessoas é só uma prestação a pagar a longo prazo, com algumas intermediárias.literalmente.
nada à vista. nada.

terça-feira, 11 de maio de 2010

la huesera por todos los lados

chá de hibisco, chocolate sempre, comidinha caseira, abraço amigo que me leva de volta ao útero. cansada de palavras como vanguarda, contemporâneo,performance,instalação,view points e qualquer tipo de personal.cadê o salto quântico?
salto quântico...pra que dar nome ao que é melhor viver? tá, o nome vem depois. ou define antes o que o meu olhar não aguenta mais ver.essas imensas montanhas de pedra, com vegetação insistente, devem estar aí há milênios...elas não me cansam.nem a areia branca, nem as ondas do mar.o homem, entre jovem e maduro,magro e alto,acaba com o estoque de pastéis de forno da loja natural.ele mesmo comenta enquanto devora o último. pega a mochila e sai de bicicleta. eu gosto de ver os navios cheios de luzes, ancorados na baía. só aprecio, não penso em nada, me faz bem.poucas luzes acesas nos prédios, tenho horror à luz fria.acendo as velas, rezo e agradeço ao universo conhecer a lei das sincronicidades. esvazio.



...trata-se da tarefa de reunir
 todos os ossos.
 em seguida, devemos 
nos sentar diante do fogo
para decidir 
qual canção usaremos para 
cantar sobre os ossos, 
que hino da criação, 
que hino da recriação. 
e as verdades 
que dissermos 
formarão a canção.
(clarissa pinkola estés 
em mulheres que correm com os lobos)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

olhos de águia


ele relata a sua história, seu caminho na arte, fala o que eu pensava. aterrizam as sincronicidades.costuro minhas novas idéias dentro de um trabalho já iniciado.janelas se abrem.as luzes do dia ampliam os meus olhos de águia.abraço todas as intenções que já pulsavam, expulso de mim o que não me pertence, tudo aquilo que não leva à nada, seleciono os mosaicos que dão forma a tudo o que constrói, o que merece sobreviver e ser compartilhado. 

entretemposentreespaços

entretemposentreespaçosassimmesmotudointerligadoejunto 
um novo  olhar. aqui mesmo, na minha cidade, aquela que eu escolhi e escolho  para criar e vivenciar algo novo, de novo.encontrar os predadores culturais,os esfomeados emocionais - os predadores externos,faz parte da jornada.(obrigada,clarissa,mais uma vez pelo mapa) 
(os internos estão sob controle). 
por trás do que aparenta esperar, existe muito movimento.faço vibrar, mais uma vez, o desapego de qualquer relação tensa com os fatos que se apresentam em desfile, aos trotes, galopes e passos lentos.longe, muito longe, como sempre, da indiferença.ou da falsa calma.
amor à vida.atitude coerente.

terça-feira, 4 de maio de 2010

volto logo

meus movimentos,origamis de sensações


vida inteligente, mais muguets



marcelo gleiser, o cientista pop, acaba de lançar um livro em que afirma que são milhões de galáxias no universo e não existe nenhuma comprovação de que existam formas de vida como a nossa,a forma de ser humano,neste infinito espaço, com consciência e capacidade para proteger a vida.ao ser entrevistado por jô soares,gleiser chamou atenção para o grandioso, fundamental e crucial papel do ser humano em salvar e proteger a vida no planeta terra, um planeta raro.ao que o jô comentou que até no planeta terra é difícil encontrar vida inteligente, já que a maioria sente mais prazer em gerar discórdias e guerras do que em construir a paz.e citou vários pacifistas da história que foram presos, perseguidos e até mortos.
aqui, simonetta vespucci,em mais um retrato de botticelli(quadro exposto em frankfurt até o final de março, pertencente a uma coleção particular).o olhar dela, nesse instante captado por botticelli, me diz muito sobre o agora.decifre.não, ninguém está querendo nem pode te devorar, a não ser você mesmo.
"e se no mundo, existe algum paraíso terrestre, sem dúvida não deve estar muito longe destes lugares", escreveu americo vespucci (parente do marido de simonetta) sobre o novo mundo descoberto por colombo.
eu acredito num novo mundo, tudo já foi descoberto, e reafirmo,do meu jeito, as palavras de americo: o paraíso terrestre pode ser aqui, onde eu, você, habitamos agora.mas não basta só crer.

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