quarta-feira, 21 de março de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012


 azul marroquino na porta de um casarão abandonado numa cidade ao sul de minas. amo a arquitetura colonial. 
fico muito triste,me deprime ver a expansão da pauperização, até na estética, na arquitetura. agora, a moda lançada por políticos experts em gordas, opulentas caixas 2, é azulejar a fachada de casas de 2, 3 andares com azulejos estampados feitos por fábricas que deveriam ser fechadas, por atentato explícito à beleza e qualidade. e alguns gostam, dizem que é melhor azulejar mesmo, não dá trabalho, é só ligar uma mangueira e lavar.sem falar nas esquadrias de alumínio, nas vendas que antes vendiam tachos de cobre,tecidos de chita florida, balaios de palha, e agora oferecem produtos inúteis buscados nos centros das grandes cidades, tudo made in korea and china para nada, um peixe de plástico que bóia numa bola, tão feio que nem kitsch é, e coisas assim, ótimas pra irem para o lixo reciclável.resultado de mentes e corações que só agem para expandir ignorâncias e desumanidades.

quinta-feira, 15 de março de 2012


unicidade mestre/discípulo. 
até os meus gatos sabem o que é isso. 
não é discurso. é comportamento.

quarta-feira, 14 de março de 2012

natureza viva

caqui daqui. caqui do nosso campo. puro sabor. pura cor.casca fina.
sem aditivos de nomes esquisitos.
 tudo orgânico. terra, água, ar puro, paixão. não se pensam.são. 

é...

...porque a fé é uma mão que te pega pelas vísceras,
porque a fé é uma mão que te faz parir.
alda merini

un fil rouge

foto de thomas krappitz para o editorial de moda marie claire italia - março 2012


alda merini ♥: a vida não tem sentido, aliás é a vida que te dá um sentido, sempre que nós a deixamos falar, porque antes dos poetas fala a vida, devemos escutar a vida.o poeta sofre muito mais,aliás há uma dignidade que às vezes não se consegue defender,é belo aceitar o mal também, eu o aceitei e ele se tornou um vestido incandescente, tornou-se poesia, eis aqui a transmutação, a matéria que se torna fogo, fogo de amor pelos outros, inclusive por aqueles que te insultaram. ♥ 

segunda-feira, 12 de março de 2012

híbrida,resultado de pleonasmos

foto de andy bevan - uma linda foto para uma texto cru

eu ainda fico, sim, talvez não deveria ficar mais, chocada com mulheres que carecem de um radar de sintonia fina, como diz a adélia prado. mais do que com homens. é uma característica tão feminina enxergar por trás das formas, ter vocação para afeto. mas há as que de fato não a tem, apenas nasceram nessa forma externa,um corpo de mulher. só isso, cospem muito fogo, são secas. assemelham-se a campos minados,desses que são isolados depois de uma guerra, para que ninguém pise no aparente belo gramado,pois onde menos se espera, pode explodir uma bomba enterrada e destruir tudo.um mistério. ele, do alto dos seus mais de 70 anos bem vividos,atentos,perspicazes e sábios, homem de radar de sintonia fina, declara,numa conversa, o que todos os que vivenciam a vida em sua plenitude e dignidade sabem: que a maior falha de caráter é a falta de gratidão. todos na mesa concordam. enquanto ele fala, vem à minha mente uma  imagem de  "falta de gratidão", um rio poluído, penso que os seus afluentes são o  egocentrismo e a corrupção, não somente a corrupção política, o desvio de bens e recursos públicos, mas também a poluição dos sentidos, a corrupção e o desvio dos mais nobres sentimentos. lembro também como clarissa pinkola estées explica bem a forma maligna da amabilidade, um jeito maléfico de ser gentil, aquelas pessoas que bajulam para conquistar apoios, favores, aprovação, que esperam e cobram que o mundo, os pais,os filhos, o marido, os amigos, todos reconheçam o que elas mesmas são incapazes de ser e sentir. vivem e alcançam uma idade madura no controle,em busca do reconhecimento e controle dos outros. que natureza distorcida...que mistério. alguém cita o escritor inglês, acho que do século 18, samuel johnson, ele também publicou uma edição comentada das obras de shakespeare, que afirmou já naquele tempo: a gratidão é um fruto de grande cultura, não se encontra em gente vulgar. ouço seu pensamento, reajo, oh, it's true, mas que forte o jeito que ele verbaliza...grande cultura... penso em ecossistema...em resultado de cuidados ou de contínuas poluições...de um jeito de encarar e reagir e intervir no ambiente. assim como florestas devastadas para fins escusos, existem algumas mulheres cujo coração e sentimentos já não são mais férteis e nem tem mais amor à sua volta que as fertilize. vulgares, como dizia samuel? eu diria híbridas,fruto de ingratidão com poluição. sem capacidade de reação, transformação, características próprias aos humanos de verdade. eu sei que é duro, cru, o que estou escrevendo aqui,mas é a mais pura realidade, desde tempos imemoriáveis...

terça-feira, 6 de março de 2012


uma noite quatro rabinos receberam a visita de um anjo que os acordou e os levou para a sétima abóboda do sétimo céu. ali, eles contemplaram a sagrada roda de ezequiel. em algum ponto da descida do pardes, paraíso, para a terra, um rabino, depois de ver tanto esplendor, enlouqueceu e passou a perambular espumando de raiva até o final dos seus dias. o segundo rabino teve uma atitude extremamente cínica: "aha, eu só sonhei com a roda de ezequiel, só isso, nada aconteceu de verdade." o  terceiro rabino falava incessantemente no que havia visto, demonstrando sua total obsessão. ele pregava e não parava de falar no projeto da roda e no que tudo aquilo significava... e dessa forma ele se perdeu e traiu sua fé. o quarto rabino, que era poeta, pegou um papel e uma flauta, sentou-se junto à janela e começou a compor uma canção atrás da outra elogiando a pomba do anoitecer, sua filha no berço e todas as estrelas do céu. e daí em diante ele passou a viver melhor.

eu amo esse conto
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