
sábado, 30 de outubro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
"a ética é sempre uma aposta arriscada"
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
afinidades: olhar para cima e ter superfície
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
a chave das portas proibidas ou estrelinhas nos olhos
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foto craig fraser para living inside |
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ilustração julie morstad |
domingo, 24 de outubro de 2010
observações taquigráficas
não fotografei, não anotei impressões, apenas vivi.e vi. tive o que ver.mais não falo aqui. que cada um descubra por si.não sei quem disse, um dia, que se pudessemos ver a realidade como ela é,enlouqueceríamos.vi e sobrevivi.vi o feio, o belo e o nada. o feio fantasiado de belo, o nada de feio, o belo de nada.nenhuma decepção.apenas confirmei o que já vira.porisso mais forte. sim, precisando descansar, não para recuperar forças, não as perdi.descansar para fazer mais um brinde à vida que existe e pulsa sim, apesar de.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
se, ou sucesso perdido
outro dia, muito cansada,ela disse:"se eu pudesse voltar atrás escolheria ser extremamente egoísta, insensível, alienada,defenderia o humanamente indefensável sempre entre sorrisos e gargalhadas, faria qualquer coisa por dinheiro,seria fanática, isso, fanática, por qualquer causa em que estivesse envolvida, futebol, partidos,teria ídolos, desprezaria os anônimos e todos os valores sobre justiça,solidariedade,todas essas bobagens que existem nos dicionários,jamais me abalaria com o sofrimento do outro,ah, sim,teria um dicionário particular sobre o significado prático de cada um desses meros conceitos e enganaria a todos,recusaria qualquer diálogo a não ser que fosse do meu interesse e resultasse em mais corporativismo,admiraria o corrupto como modelo máximo a ser seguido, acreditaria e protegeria salvadores e faria conchavo com eles.nunca recolheria o cocô que o cachorro faz na rua, jogaria latas e esgoto no mar e depois negaria ter feito isso,ainda ficaria indignada com a poluição,contrataria personal disso ou daquilo e marqueteiros para decidir qual o corte e a cor dos meus cabelos, seria fantoche de altos interesses com total entrega confiante,repetiria o que a ex-ministra e atual candidata à presidência disse "o meio ambiente é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável" e vibraria com a nossa inteligência e a defenderia de qualquer acusação com muita ira, unhas e dentes,como cão raivoso,replicaria esse pensamento e todos aplaudiriam, argumentaria que sim, a pobreza diminuiu e os banqueiros minimizaram seus lucros enquanto encheria os meus próprios bolsos e contas no exterior,confirmaria que o real estável é uma invenção de agora,negaria o que eu mesma disse ontem,diria que as pessoas experientes que pensam, propõem e fazem são arrogantes, as xingaria de elite perdedora e interesseira,casaria num castelo e teria bebês de proveta e meus sete ex-maridos iriam me visitar na maternidade,anunciaria a minha gravidez, através do meu assessor, como se engravidar só acontecesse comigo e mais ninguém,fosse uma coisa inédita para a humanidade,acreditaria no movimento de todas as farcs da vida como autêntico movimento do povo,acharia que buda é um bibelô de um gordinho sentado e esfregaria a barriguinha dele sempre e mais para ter mais e sempre mais sorte, e teria.ah, também contaria com as macumbeiras da casa da dinda." pronto, acabou?
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
haja eternidade
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
fantasias,realidades,fantasmas
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john galliano - dior - coleção outono de 2000 |
outro dia pensei e fiz uma lista das minhas fantasias que se tornaram realidade. fantasias porque para minha realidade algumas pareciam impossíveis ou fora do meu alcance. fantasias porque eram sonhos enfeitados de detalhes e muita imaginação.algumas delas: uma casa no campo, como a letra da música,uma relação afetiva que dure com frisson e movimento,ter numa filha (nunca me vi mãe de homem) uma grande amiga e com ela crescer junto, conhecer alguém que me mostrasse o sentido por trás de tudo, caminhando à frente dos avanços da ciência e da psicanálise, além do inconsciente pessoal e do coletivo,ver o mar todos os dias,viver numa cidade cuja beleza é admirada pelo mundo todo,plantar e ver crescer muitas árvores,contribuir para a despoluição de lugares e mentes... e vi que a lista era bem grandinha, nem para aí. então me lembrei de outras fantasias, algumas sempre presentes , outras que nem ligo, como ir a um baile de máscaras em veneza e viver apenas uma noite de amor tórrido com um desconhecido em que eu reconhecesse, somente através da energia, sem olhar para ele,todos os homens que amei e por quem fui amada. as sempre presentes: ver a fome acabar no mundo, fome por comida e fome por educação e arte; ver inserido no curriculo de todas as escolas o estudo de todas as correntes filosóficas e religiosas para que cada um tivesse o direito de pensar e escolher como manifestar suas atitudes humanas na prática; que aprender a ler fosse de fato aprender a refletir e absorver e trazer o resultado disso para o mundo real depurando as escolhas (ah, nas livrarias não haveria mais seções de auto-ajuda e todos saberiam discernir e nunca mais enviarem por email, textos assinados por shakespeare ou jabor ou...textos que os próprios autores jamais escreveriam ou escreveram); que encontrassemos uma outra forma de gerir todos os recursos do país, que não fosse através da política como funciona hoje, que vislumbrassemos a criação de um outro sistema de organizar representatividades, começassemos logo esse exercício abolindo a obrigatoriedade do voto, instituindo o voto distrital até chegar num modelo em que conseguissemos criar núcleos de administração como as associações de bairro que protegem o que amam e conhecem bem, num diálogo contínuo com seus moradores (esta última é uma fantasia que emperra até na minha imaginação).as listas seguem compridas, enfrentam e procuram vencer os fantasmas que assustam porque não querem nada.tirando o baile de máscaras em veneza, acho que ver todas as outras fantasias se realizarem não cabe numa só vida, que por mais longa que seja ainda é curta para ver acontecer.nem por isso deixo de crer e fazer a minha parte.mas confesso que tenho tido vontade de ser árvore num campo bonito,florir, abrigar pássaros e ninhos, dar sombra para as vacas e, claro, nunca ser nem podada nem arrancada por um homem ou mulher ignorante, porque mulher, quando dá para ser ignorante, supera o homem ignorante.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
shakespeare-em-lilás in my mind's eye
"i like this place and willingly could waste my time in it" - ( as you like it -act II, scene IV). |
palavra que, enquanto saía de sua boca,ela já preferia ter encontrado outra:contemporâneo.
chega ou anda?
chega! chega! chega!
"the devil can cite scripture for his purpose".
( the merchant of venice,act I, scene III)
"the devil can cite scripture for his purpose".
( the merchant of venice,act I, scene III)
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
humanidades
furar o cerco
VIDATIVADA
A VIDA É ATIVA
QUEM ATIVA A VIDA ?
O QUE ATIVA A VIDA DE QUEM ?
(não faço e nem quero fazer parte da turma dos que alimentam o caos e a ignorância.não acredito em nada que cresce sob ameaça do medo e do falso.furo o cerco dos números, daqueles números que não correspondem a real qualidade de vida.)
domingo, 3 de outubro de 2010
forma sem contéudo
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
o que é suficiente
para minha filha,uma história real sobre as mulheres da nossa família,para que continuemos a tecer esse tecido feito das nossas histórias,cheio de bordados e vazios que não rasgam, onde não cabem traças nem cupins, nem precisa colocar bolinhas de naftalina, os baús estão abertos e vivos.e isso é o suficiente:
ela era uma mulher bonita, vaidosa e consciente sobre valores humanos, vivendo num mundo ainda dominado pelos homens.já tinha tido seis filhos, três homens e três mulheres.quando a grande guerra começou,ela era viúva de um homem por quem foi muito apaixonada,um marido com quem construiu uma vida e uma fábrica de tecidos que exportava, já naquela época, para o berço da indústria de tecidos, inglaterra e bélgica.ele, apesar de ninguém fazer isso, dividia, naquele país pequeno, os lucros com os funcionários de acordo com a produtividade.
agora,todos os filhos estavam casados, alguns com bebês e crianças pequenas.
menos sua filha caçula, temporona, uma jovem super loira que gostava de criar seus próprios vestidos e chamava a atenção de todos.uma casa bonita ao lado do palácio.uma mulher viúva e sua jovem filha.guerra.a pequena fazenda, em que seu marido instalara caixas de som nas árvores, para as vacas pastarem ao som de mozart e bach, ocupada.os empregados chegaram a fugir de madrugada, carregando leite, queijos, frutas e legumes até a casa da cidade para implorar à viúva que os acolhesse, não queriam trabalhar para os novos patrões,desconheciam e não suportavam tamanho mau trato.a viúva se comovia e implorava para que eles voltassem e procurava fazê-los compreender que seu maior desejo era preservar a vida, sobreviver junto com eles a todos os horrores e violências que uma guerra pode gerar.
certa noite, sete oficiais de alta patente ocuparam a casa para pernoitar. a viúva ficou muito preocupada com ela e com a filha. os oficiais foram elegantes, não houve assédio,despediram-se sem importunar as duas mulheres sós.
na segunda vez,gente do povo lá do norte do extremo do mundo, invadiu a casa da viúva em busca do filho foragido que lutava contra toda essa ocupação tão violenta.a menina foi levada e presa e torturada,ficou semanas numa cela sob uma temperatura de vinte graus negativos, para forçar a confissão de onde andava o seu irmão.ao ser levada, ouviu a mãe berrando na porta: morra mas não seja dedo duro.na terceira vez, a menina voltava de bicicleta para casa quando encontrou a mãe cercada por homens rudes, desses que cospem no chão, fungam e fazem xixi no poste da rua.eles tinham acabado de riscar com canivete uma face do relógio-jóia que ela guardava de lembrança, colado aos seios numa corrente,de uma viagem de seu marido. os ignorantes nunca tinham visto um relógio na vida, nem sabiam que isso existia, um aparelho para medir as horas, e o arrancaram de seu pescoço.como não conseguiam abrir para ver os ponteiros e números que ela contava ter, eles nem sabiam o que era isso, riscaram todo o trabalho de arte em esmalte, um pequeno mandala de louros em verde esmeralda.a viúva explicava e explicava e explicava, mas eles achavam que ela carregava uma bomba no pescoço. a tudo o que não conheciam chamavam de sabotagem.assim que a menina se aproximou, eles a arrancaram da bicicleta e exigiram explicações, disseram: como pode uma pessoa andar sobre duas rodas, isso é boicote! a menina, sob o olhar firme da mãe, explicou do que se tratava, eles nunca tinham visto uma bicicleta e achavam que era uma arma.com armas apontadas sobre a sua cabeça, a menina teve que deixar um deles experimentar. ele disse: se não funcionar , eu te mato, você está tentando me enganar. a menina explicou que para andar e não cair precisava aprender.ele andou e caiu. a menina continuou explicando e explicando e explicando, com toda a sua voz e vida, o que ela sabia que era verdade. eles se foram. a bicicleta ficou. a casa, a fazenda, as jóias, tudo ficou para trás.o relógio acompanhou as duas mulheres que foram para uma terra próxima e depois para uma outra muito distante. a menina casou, teve uma filha.o tempo passou. tantas mulheres na família e o relógio ficou com a única filha de sua filha temporã. até hoje ele não bate as horas.um dos ponteiros foi arrancado pelos ignorantes e a viúva nunca quis consertar, quis guardá-lo assim para não esquecer do que os homens são capazes, de criar o belo e o horroroso.ela continuou usando o relógio junto aos seios.nunca mais quis aprender nenhuma nova língua,apreciou a beleza e as pessoas dos novos países através de sorrisos, receitas saborosissimas e lindos trabalhos em crochê. e caras feias também.a neta aprendeu a sua língua para poder se comunicar com aquela linda mulher.e ficou com a jóia, aquilo que ninguém tira.
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